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Sítio Arqueológico Santa Fé: memória, cultura e patrimônio
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Descrição
Sob a coordenação da Universidade Federal do Ceará (UFC) e em parceria com a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, a iniciativa busca fortalecer a conexão da sociedade da Chapada do Araripe com seus bens patrimoniais, incentivando práticas de gestão compartilhada e estratégias educativas inclusivas.Localizado no município de Crato, Ceará, o Sítio Santa Fé destaca-se por preservar vestígios excepcionais da cultura pré-colonial, servindo como uma importante referência para estudos sobre a ocupação humana na região. No entanto, enfrenta desafios significativos relacionados à ausência de políticas sistemáticas de preservação e à falta de engajamento direto da comunidade local na gestão do patrimônio. Assim, este projeto visa responder a essas lacunas por meio de uma abordagem inclusiva, fundamentada na Arqueologia Social Inclusiva, desenvolvida pela Fundação Casa Grande e pela Drª. Rosiane Limaverde (2015). Essa perspectiva defende que a preservação do patrimônio cultural deve transcender abordagens técnicas, envolvendo a população local e valorizando os saberes tradicionais e os vínculos culturais existentes.
Por meio de uma metodologia interdisciplinar e participativa, o projeto busca criar um espaço de aprendizado mútuo, unindo o conhecimento científico ao saber popular. Essa interação visa promover o desenvolvimento sustentável e a conservação do patrimônio cultural do Cariri. As ações previstas incluem atividades de educação patrimonial e a produção de materiais didáticos destinados ao fortalecimento das práticas educativas na região.
A experiência consolidada da Fundação Casa Grande na formação de jovens e crianças será um elemento-chave para engajar os diversos atores sociais do território. A proposta enfatiza que a proteção do patrimônio arqueológico deve ser realizada de forma integrada com a comunidade, respeitando suas tradições e valores culturais, ao mesmo tempo que fomenta o desenvolvimento social. Dessa forma, o projeto busca não apenas contribuir para a preservação do Sítio Arqueológico Santa Fé, mas também promover ações educativas que articulem o saber acadêmico ao saber popular, reforçando os princípios fundamentais da extensão universitária e do engajamento comunitário.
O projeto fundamenta-se na Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, priorizando o desenvolvimento da autonomia dos participantes, com foco no estímulo à capacidade crítica, na responsabilidade e no protagonismo na construção do conhecimento. Integrado à Educação Popular, busca engajar a comunidade no processo educativo, valorizando os saberes locais e promovendo uma participação emancipatória.
A metodologia central é a Arqueologia Social Inclusiva (ASI), uma abordagem pedagógica cidadã que estimula a conexão ativa dos participantes com o patrimônio, fortalecendo a preservação da identidade cultural. De caráter interdisciplinar e inclusivo, essa abordagem valoriza a diversidade cultural, assegurando o protagonismo comunitário e o respeito às suas narrativas e identidades.
A ASI orienta as ações do projeto ao integrar a comunidade na interpretação e conservação do patrimônio cultural e ambiental do Sítio Arqueológico Santa Fé. Ao contrário dos modelos tradicionais de arqueologia, que frequentemente excluem a participação local, essa metodologia propõe uma perspectiva colaborativa, onde o patrimônio é reconhecido como um elemento vivo da cultura comunitária, superando a visão de objeto acadêmico isolado.
Sob essa perspectiva, o patrimônio é compreendido como pertencente às pessoas que possuem vínculos históricos, afetivos e simbólicos com ele. O projeto se dedica a valorizar os saberes e narrativas locais da Chapada do Araripe, promovendo um processo coletivo no qual a comunidade desempenha o papel de guardiã e difusora de seu próprio legado.
Essa abordagem fomenta um modelo de educação patrimonial que respeita e enaltece as identidades culturais locais, contribuindo simultaneamente para a construção de uma cidadania ativa e consciente. O aprendizado recíproco emerge como um dos pilares do projeto, conectando o conhecimento acadêmico ao saber popular e fortalecendo o sentimento de pertencimento dos envolvidos.
